terça-feira, 29 de maio de 2007

Caixa de emails

Caixa de Emails

Quantas vezes por dia você abre a caixa de emails para ver se chegou aquele email super importante?
A cada dia que passa as pessoas ficam mais alucinadas com as correspondências digitais: email, msn, skype, orkut, caixa de mensagens do celular...
Não bastasse, tem gente que abre umas três vezes por dia aquele email do provedor velho, que já nem usa mais, só pra ver se algum desavisado mandou alguma coisa.
E a gente se pega fazendo coisas tão tontas. Outro dia eu cheguei tarde da noite e abri o computador. Não é que Carol, que mora em Fortaleza, estava fazendo a mesma coisa, também tinha acabado de chegar de uma balada. Os dois caindo de sono e trocando umas mensagens no msn.
O Sérgio deixa o Outlook ligado o tempo todo e quando chega um email, uma mensagem sonora, com voz de mordomo assassino dos filmes dos anos 50 grita: Séééééérgio você recebeu um email!
Ansiedade. No Houaiss está descrita como substantivo feminino, caracterizado por grande mal-estar físico e psíquico, aflição, agonia, desejo veemente e impaciente, falta de tranqüilidade e receio. E como psicopatologia: com estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso e diante do qual o indivíduo se julga indefeso.
Tivesse escrito o verbete hoje, o Houaiss teria que introduzir um parágrafo para descrever esta síndrome digital que estamos criando.
Estamos dedicando cada vez mais espaço para as máquinas dentro de nossas cabeças. A ponto de o computador estar mexendo com o nosso psicológico, com o nosso afetivo.
No momento que utilizamos o computador como meio de chegar às nossas relações profissionais e pessoais ele acaba ocupando um espaço que anos atrás seria considerado, por nós mesmos, um absurdo.
Acho que acaba causando uma confusão mental danada.
Sem contar que muitos de nós passamos a maior parte do tempo trabalhando no computador.
Tenho um amigo, o Daniel, que trabalha com TI e é mágico no photoshop. Quando chego pra falar com ele, a sensação que tenho é que ele está dentro do computador. Como se a cabeça e as mãos estivem dentro da máquina. Ele demora um pouco, questão de segundos, mas demora pra “locar” e conseguir falar com quem o chama do lado fora.
Mas eu não sou contra não.
Escrevo este texto no Word e ao mesmo tempo mando umas fotos para Mari Ângela pelo gmail. Por duas vezes já parei pra ler emails que acabaram de chegar.
Não era nada importante.

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